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Categoria Branding
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Porque é que cada vez mais as marcas estão a abandonar o “estilo premium” e a escolher uma imagem mais humana?

Marcas estão a trocar o "estilo premium" por identidades mais humanas, autênticas e próximas, porque é disso que nasce a verdadeira conexão.

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Durante anos, o caminho mais óbvio para as marcas que queriam parecer sofisticadas e confiáveis era o minimalismo neutro: designs limpos, tipografia elegante, paletas reduzidas, onde muitas vezes eram usados tons de preto, branco, cinza ou bege. Tudo isto com o objetivo de comunicar profissionalismo, exclusividade e um certo “estilo premium”.

Mas, atualmente, algo está a mudar rapidamente. Marcas de diferentes áreas, desde a tecnologia à saúde, da advocacia à nutrição, estão a repensar o visual “premium clássico” e a procurar um design mais humano, mais emocional e, claro, mais real.

O que está por trás desta mudança?

A principal razão é bastante simples: as pessoas já não se conectam com marcas que parecem distantes.

Num mundo onde a confiança se constrói através da empatia, da presença e da transparência, uma imagem visual demasiado fria ou impessoal pode afastar em vez de atrair. E estamos a começar a perceber que a nova sofisticação é a autenticidade, e não a formalidade.

O design deixou de ser apenas um “acabamento bonito” e passou a ser uma extensão da experiência que a marca quer proporcionar.


De “estilo premium” para branding humano: 3 marcas que fizeram essa transição

1. Mailchimp

Antes, a marca tinha uma comunicação visual mais neutra, muito convencional para uma plataforma de e-mail marketing. Tinha um logótipo básico com serifas e cores corporativas. Entretanto, a marca renasceu com uma paleta vibrante (o famoso amarelo), ilustrações imperfeitas, elementos orgânicos e um macaco simpático como mascote.

Porquê? Perguntam vocês. Para mostrar que fazer marketing pode ser simples, divertido e humano. A nova imagem comunica acessibilidade sem perder a confiança, e reforça o seu posicionamento como uma solução para pequenos negócios.

Isto mostra-nos que mesmo ferramentas técnicas podem ter uma abordagem visual acolhedora.

antes & depois do mailchimp

2. Duolingo

Às vezes tenho dificuldade de me lembrar que o Duolingo já foi uma marca com uma imagem mais discreta e institucional. Eles tornaram-se o exemplo perfeito de branding expressivo. A cor verde viva, a mascote de uma coruja com expressões exageradas e os textos cheios de humor e proximidade, criaram uma marca impossível de ignorar.

A razão é clara: não é fácil aprender línguas, então porque é que havemos de tornar este processo chato? A marca teve esse insight e o design refletiu isso. O foco está na motivação emocional, na diversão e na experiência envolvente.

Se o teu serviço envolve transformação, o branding pode comunicar entusiasmo sem perder credibilidade, tal como o Duolingo fez.

antes & depois do duolingo

3. Airbnb

Adoro dar este exemplo, porque o desenvolvimento e crescimento visual desta marca é fascinante. O Airbnb tinha uma identidade mais genérica, com uma imagem visual fria e distante, focada no produto e não na comunidade.

Em 2014, a marca fez um dos rebrands mais emblemáticos da década. Introduziu o seu símbolo emblemático, adotou uma tipografia amigável e uma paleta de cores mais quente, com rosa, coral e branco. As imagens passaram a focar-se nas pessoas, nas experiências locais e no sentimento de “estar em casa em qualquer lugar do mundo”.

Deixa então de ser apenas uma plataforma de alojamento e torna-se numa marca de conexão e pertença. A nova identidade visual comunica hospitalidade, emoção e comunidade, muito mais do que apenas transações.

O que temos de retirar aqui é que até grandes marcas globais, com milhões de utilizadores, perceberam que o futuro da confiança está na humanização. E o design é a ponte para isso.

antes & depois do airbnb

O que é que isto significa para ti e para os teus clientes?

Pensando num todo, há três coisas que podemos retirar daqui:

‣ o profissionalismo não precisa de ser impessoal

‣ a confiança pode ser construída com leveza e cor

‣ mas a sofisticação também pode ter alma, empatia e autenticidade

Portanto, se estás a trabalhar numa identidade visual (para ti ou para clientes), vale a pena refletir: a imagem que estou a criar aproxima ou afasta? Estou a comunicar quem a marca realmente é, ou o que “achamos” que ela deveria parecer?


Há uma beleza silenciosa no minimalismo. Durante anos, associámos o “menos é mais” a tudo o que é sofisticado, profissional e premium. Paletas neutras, tipografias elegantes, composições sóbrias. E sim, funcionou. Mas os tempos mudaram, e com eles, as pessoas também.

Hoje, o que nos aproxima de uma marca não é a perfeição do design. É o que sentimos ao vê-la. É quando o visual nos acolhe, nos espelha e nos convida a ficar.

Tenho reparado, tanto nos projetos que crio, como nas marcas que admiro, que estamos a assistir a um movimento bonito: o da humanização do branding. Um regresso à emoção, à cor, à verdade.

No fundo, o que faz uma marca ser lembrada não é as cores da paleta, nem a fonte do logótipo. É a forma como ela nos fez sentir. E é isso que o bom design, quando é feito com um objetivo claro, consegue fazer: deixar a marca presente na memória das pessoas. Daquelas memórias que ficam para sempre.